"Sou como a haste fina que qualquer brisa verga, mas nenhuma espada corta."

Antes de julgar a minha vida ou o meu caráter, calce os meus sapatos e percorra o caminho que eu percorri, viva as minhas tristezas, as minhas dúvidas e as minhas alegrias. Percorra os anos que eu percorri, tropece onde eu tropecei e levante-se assim como eu fiz. E então, só aí poderás julgar. Cada um tem a sua própria história. Não compare a sua vida com a dos outros. Você não sabe como foi o caminho que eles tiveram que trilhar na vida.”

"Não julgue os outros só porque os pecados deles são diferentes dos seus."


Oração Diária _( Clique)

domingo, 1 de maio de 2016



"Dai-me a casa vazia e simples onde a luz é preciosa. Dai-me a beleza intensa e nua do que é frugal. Quero comer devagar e gravemente como aquele que sabe o contorno carnudo e o peso grave das coisas.
Não quero possuir a terra mas ser um com ela. Não quero possuir nem dominar porque quero ser: esta é a necessidade.
Com veemência e fúria defendo a fidelidade ao estar terrestre. O mundo do ter perturba e paralisa e desvia em seus circuitos o estar, o viver, o ser. Dai-me a claridade daquilo que é exactamente o necessário. Dai-me a limpeza de que não haja lucro. Que a vida seja limpa de todo o luxo e de todo o lixo. Chegou o tempo da nova aliança com a vida."


Sophia de Mello Breyner Andresen


sábado, 30 de abril de 2016


"De repente a gente acorda e decide dar um novo rumo à nossa vida. Em busca daquele projeto tão sonhado e que fora alimentado há anos, aparentemente esquecido, ou adiado em razão de determinadas circunstâncias. Chega um momento que tudo parece fora de lugar, que não mais se encaixa, como se tivesse faltando um pedaço; ou se enquadra, como uma fotografia velha num ambiente arrojado. O tempo passa, o mundo se transforma. A gente muda ou sente a necessidade de mudança. Todo dia é novo. É a vida em movimento, nos pedindo abre alas. Então, a gente decide abandonar as roupas usadas, sentir outros ares, redescobrir-se, se vestir do novo que virá. E seguimos na contradança dos passos, engrenados por desejos, indo ao encontro de nós mesmos, em busca de respostas para nossas inquietações. É óbvio que ninguém tem a fórmula certa, uma bússola que indique qual o melhor caminho ou a escolha perfeita. Talvez, tomar aquele percurso, pegar àquela estrada, não seja a decisão mais acertada, mas se não nos movermos nunca saberemos aonde chegar. Adentraremos tão somente no campo da imaginação, presos ao nada, aquém das realizações, frustrados por não termos a coragem suficiente para ir além."

Angella Reis
Arte: Ana Clara Tissot



sexta-feira, 29 de abril de 2016


10 anos depois e eu volto ao lugar onde nos divertimos muito, um misto de saudades e alegria por ter compartilhado com minha tia Nilza e minha vó Antônia momentos como esse. Por isso não canso de repetir; se quiser amar, compartilhar, abraçar, beijar faça hoje, agora. Nunca sabemos quando pode ser a ultima vez. Saudades não trás ninguém de volta mas as lembranças dos momentos vividos juntos é como um bálsamo na  ferida sempre aberta que a morte deixa em nosso coração.


terça-feira, 26 de abril de 2016






"Eu sei. Eu creio. Eu peço. Eu oro. E Deus me diz pra eu esperar (e para arar os campos) porque a chuva sempre vem."


Elenita Rodrigues

sábado, 23 de abril de 2016




Salve meu pai Ogum que me guia por esses caminhos, me ensinando a dançar com meus dragões.
Salve São Jorge, Salve Ogum!

Salve Jorge, salve Ogum! Ogunhê meu Pai.


quarta-feira, 13 de abril de 2016


"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar. 
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução. 
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha. 
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado. 
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."


Miguel Esteves Cardoso - Ultimo Volume



"Nos demais – eu sei,
qualquer um sabe -
o coração tem domicílio
no peito.
Comigo
a anatomia ficou louca.
Sou todo coração -
em todas as partes palpita."



Maiakóvski

terça-feira, 12 de abril de 2016



Assistir uma novela só por causa da trilha sonora, bem eu!


segunda-feira, 11 de abril de 2016

"Somos o que ficou depois de sofrer. "


"Porque na dor encontramos uma honestidade que não há em nenhum outro sentimento. 

Porque na dor encontramos uma urgência que não há em nenhum outro lugar. 
Porque na dor encontramos uma autenticidade que não  há em nenhum conselho.
(...)
Somente aquele que cuidou de um pai ou mãe doente entenderá o que é ser filho. 
Somente aquele que se separou ainda amando entenderá o que é casamento. 
Somente aquele que perdeu um parente numa tragédia entenderá o que é fé. 
Somente aquele que foi mendigo em sua casa entenderá o que é generosidade. 
Sofrer é entender a si mesmo para ouvir com mais atenção e empatia. 
Por mais angustiada que seja a perda, por mais gritante que seja a separação, por mais inimaginável que seja a injustiça, temos uma incrível e maravilhosa capacidade de sobrevivência,  de se regenerar, de despertar das ruínas, de seguir em frente."



Fabrício Carpinejar


domingo, 10 de abril de 2016



"Moça não te deram opção, você teve que se adaptar.
Mãos atadas, coração vazio.
Fincou os pé no chão, manteve a alma leve e criou uma alternativa, foi forte."

Cris Souza




"Se você pensa que sabe; que a vida lhe mostre o quanto não sabe. 
Se você é muito simpático mas leva meia hora para concluir seu pensamento; que a vida lhe ensine que explica melhor o seu problema, aquele que começa pelo fim. 
Se você faz exames demais; que a vida lhe ensine que doença é como esposa ciumenta: se procurar demais, acaba achando. Se você pensa que os outros é que sempre são isso ou aquilo; que a vida lhe ensine a olhar mais para você mesmo. 
Se você pensa que viver é horizontal, unitário, definido, monobloco; que a vida lhe ensine a aceitar o conflito como condição lúdica da existência.Tanto mais lúdica quanto mais complexa.
Tanto mais complexa quanto mais consciente.Tanto mais consciente quanto mais difícil. 
Tanto mais difícil quanto mais grandiosa. Se você pensa que disponibilidade com paz não é felicidade; que a vida lhe ensine a aproveitar os raros momentos em que ela (a paz) surge. 
Que a vida ensine a cada menino a seguir o cristal que leva dentro, sua bússola existencial não revelada, sua percepção não verbalizável das coisas, sua capacidade de prosseguir com o que lhe é peculiar e próprio, por mais que pareçam úteis e eficazes as coisas que a ele, no fundo, não soam como tais, embora façam aparente sentido e se apresentem tão sedutoras quanto enganosas. Que a vida nos ensine, a todos, a nunca dizer as verdades na hora da raiva. 
Que desta aproveitemos apenas a forma direta e lúcida pela qual as verdades se nos revelam por seu intermédio; mas para dizê-las depois. Que a vida ensine que tão ou mais difícil do que ter razão, é saber tê-la. Que aquele garoto que não come, coma. 
Que aquele que mata, não mate. Que aquela timidez do pobre passe. 
Que a moça esforçada se forme. Que o jovem jovie.
Que o velho velhe. Que a moça moce. Que a luz luza. Que a paz paze. 
Que o som soe. Que a mãe manhe. Que o pai paie. Que o sol sole. Que o filho filhe. Que a árvore arvore.
Que o ninho aninhe. Que o mar mare. Que a cor core. 
Que o abraço abrace. Que o perdão perdoe.
Que tudo vire verbo e verbe. Verde. Como a esperança. Pois, do jeito que o mundo vai, dá vontade de apagar e começar tudo de novo. 
A vida é substantiva, nós é que somos adjetivos."


Artur da Távola

"O que eu queria que entendesses é que sou uma pessoa. Com certa inteligência, certa cultura, certa sensibilidade. E certas idéias (que não te agradam ). Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado. Essa modificação vinha se processando sem que eu mesmo percebesse e, com determinadas leituras e determinadas vivências, ela se consumou. "

Caio Fernando Abreu, carta à Hilda Hilst 


quinta-feira, 7 de abril de 2016


"Carpe diem' aconselha entre suas poucas letras que se despreocupe do tempo que ainda não é, para então se ocupar da vida que se derrama no precioso e único lugar em que resides e verdadeiramente te destinas: o exato momento do agora."


Guilherme Antunes


quarta-feira, 6 de abril de 2016



"Há uma porção de coisas minhas que são difíceis de serem contadas. Há uma porção de coisas em processo de cicatrização. Há uma porção de sonhos que foram atropelados pelas circunstâncias do tempo. Há uma porção de sentimentos entreabertos que esperam a hora certa de virarem fim. Há uma porção de mim em tudo o que eu escrevo, que eu leio, no Outro. Há uma porção de coisas minhas que ninguém entenderia. (nem eu mesma)."


Bibiana Benites

sexta-feira, 25 de março de 2016