"Não julgue os outros só porque os pecados deles são diferentes dos seus."

"Depois de um tempo, você ainda vai lembrar dessa ferida que rasgou fundo o teu peito. Mas vai saber também, que foi apenas uma página do capítulo passado. E que o capítulo que você está agora. Ah, esse sim é o mais interessante."



sexta-feira, 18 de maio de 2012


"Talvez ele não saiba que aquela dor que ele causou, calou os olhos dela violentamente por uns tempos. Isso não é crime, é carma: magoar alguém assim,[...] remover com lágrimas o rímel cuidadosamente passado, deixar tão descrente alguém que achava a vida mágica...Talvez ele nem desconfie que quando ele disse “não vamos mais nos ver “e ela “tudo bem”, logo que se deram as costas, ela respirou fundo uma, duas, três vezes, e se afundou na tristeza escutando “Killing Me Softly” da Roberta Flack e “Como Vai Você?” do Roberto Carlos. E que passou dias lendo Nietzsche revoltada com o “Último Homem” e discordando do “Pequeno Príncipe” de Exupéry. Entendeu perfeitamente o I CHING quando disse que “não era favorável atravessar a grande água” e foi dormir sem sono, meditando cura.[...]  Talvez ele nem imagine que ela parou de sair com os amigos para beber vinho em casa escondido, no café da manhã. E escreveu vinte e nove cartas sobre a raiva e nunca enviou porque era moça espiritualista e tinha que manter o discurso saudável do “isto também passará”. (Não mandou, mas depois da segunda garrafa de vinho às três da tarde, foi por um triz). Talvez ele nunca saiba que ela mudou os móveis de lugar, dormiu no chão, quis mudar de religião, leu Lacan e criticou Freud. Pensou em mudar de profissão, de cidade. Quis mudar de si, já que seu corpo era a casa de um só sentimento.[...] não quer conhecer ninguém, posa de antipática porque esta apática. Se escondeu da lua cheia, fez da sua casa um campo de concentração. Trancou todas as portas para não entrar qualquer ilusão. Por tanto tempo sera ela e sua tristeza intransitiva.(Tudo novamente)"


Marla de Queiroz