"Eu tenho zumbi, o chefe dos tupis. Sou tupinambá, tenho erês, caboclos.
Mãos de cura, morubichabas, cocares, arco-íris. Zarabatanas, curarês, flechas e altares. Eu tenho Jesus, Maria e José, todos os pajés em minha companhia
Do ouro de Oxum que é feita a armadura guarda o meu corpo, garante meu sangue, minha garganta. O veneno do mal não acha passagem e em meu coração Maria ascende sua luz, e me aponta o caminho.
Onde vai valente? Você secô, seus olhos insones secaram, não vêem brotar a relva que
cresce livre e verde, longe da tua cegueira. Seus ouvidos se
fecharam à qualquer música, qualquer som,
nem o bom nem o mal, pensam em ti, ninguém te escolhe
Você pisa na terra mas não sente apenas pisa,
Apenas vaga sobre o planeta, já nem ouve as
Teclas do teu piano, você está tão mirrado que
Nem o diabo te ambiciona, não tem alma, você é
O oco, do oco, do oco, do sem fim do mundo.
Minha forma é matéria que você não alcança
Se choro, quando choro e minha lágrima cai é pra regar o capim que
alimenta a vida, chorando eu refaço as nascentes que você secou.
Se desejo, o meu desejo faz subir marés de sal e
sortilégio, vivo de cara pra o vento na chuva e
quero me molhar. O terço de Fátima e o cordão de
Gandhi, cruzam o meu peito.
Sou como a haste fina que qualquer brisa verga
Mas, nenhuma espada corta
Não mexe comigo que eu não ando só"
